Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012

O DELGADO

FRANCISCO MARTINS DA SILVA, filho de António de Sousa da Silva (conhecido pelo nome de “O Delgado”) e de Rosária Augusta Fagundes. Casou com Leonor De Jesus Areias, indo residir para a Canada Nova – Picão, conhecida pela Canada dos Heréus (nome que é dado as áreas de terrenos pertencentes a uma ou duas pessoas), freguesia de Lajes, concelho de Praia da Vitória. A vivência, num prédio, cuja habitação fora construída de pedra e materiais do tempo, com cobertura executada em madeira e como acabamento, a palha ou colmo. Mais tarde, a cobertura fora substituída pela telha regional, que ainda hoje existe. Como profissão, era cabouqueiro, por conta própria, numa pedreira de Alvenarias, situada nas Lajes, zona onde hoje, existe a Base Aérea Americana. Francisco Martins da Silva, tornou-se proprietário, adquiriu terras lavradias, que se destinavam à lavoura. Tinha algumas “vinhas” e “matas”. Todos os anos, vendia trigo, vinho e outras, para os mercados. As festividades, particularmente o Espírito Santo, as Touradas à Corda e as Danças de Carnaval, correspondiam às principais manifestações festivas em que Francisco Martins da Silva – O Delgado - frequentava. Tinha naqueles dias festivos, as mesas fartamente recheadas com as iguarias da época: filhós de panela, “malassadas”, “coscurões”, fatias fritas, bolos secos, figos passados, aguardentes, angelicas e licores caseiros. Todos os anos matavam o seu porquinho ao aproximar-se o Entrudo, para assim terem fartura naqueles dias festivos. Todos divertiam, para além do simples acto de cobrir o rosto com uma máscara, completando o disfarce ao envergarem os mais extravagantes trajes. Francisco Martins da Silva (O Delgado), personificava a ¬ bondosa e hospitaleira, dando largas ao adágio “tristezas não pagam dívidas”. Era vê-lo e à sua família, estuantes de vida, peles bronzeadas, as bocas rasgando-se num sorriso de despreocupação, percorrendo de carroça as estradas poeirentas, a caminho das célebres touradas à corda. Ao entardecer, Os Delgados deixavam o arraial e regressavam a casa com as almas transbordantes de alegria. As festas actuavam naqueles espíritos como estimulantes, balsamizando-lhes a árdua labuta da vida e comprovando o velho ditado: “Nem só de pão vive o homem”. Também, ninguém havia que deles se abeirasse em horas de aflição, que não tivesse um conforto moral ou material. Se podia emprestar dinheiro ou outros bens materiais, emprestava; se não podia, paciência, haviam de se remediar por outra banda. Quanto a mitigar a fome aos infortunados que lhe batessem à porta – era voz corrente – ninguém saía com as mãos a abanar. E assim vivia aquela família, despreocupadamente na paz do Senhor. O Delgado conduzindo o carro de bois, entrou no pátio e viu Leonor Jesus Areias à porta de casa, esperando-o para jantar. Ela tirou a panela do lume. A sopa estava apetitosa: Tinha feijão, abóbora, batata-doce e da terra. Uma olha amarelinha acumulava-se borbulhante à superfície do Caldo, exalando um vapor que impregnava o ar dum aroma delicioso. Era “comida temperada”. Entretanto o “Fiel” já chegara e resfolegando de cansado, roçava-se pelas pernas da dona, jubiloso do regresso. Leonor assomou à porta chamando o marido: - Francisco! Vem comer. O marido subiu pesadamente a escada orlada por uma estranha balaustrada, de mogangos e abóboras, num pitoresco bastante original. Francisco Martins da Silva, dedicava-se também ao amanho das vinhas, pomares e na cultura de cereais. Embora sendo homem de terra, também era de leituras. Gosta de ouvir a mulher ler a Bíblia e alguns livros daquele tempo. Não sabia ler e nem escrever. Tratava de toda a burocracia existente na família, incluindo ir à Fazenda Pública, pagar as contribuições e outros afazeres.


publicado por opsilva às 10:55
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